Imagem capa - Meu gatinho tem felv... e agora? por Samara Medeiros Fotografia
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Meu gatinho tem felv... e agora?

Ei pessoal! Hoje é dia de mais um post informativo aqui no blog! Como bióloga e fotógrafa de felinos, além de voluntária em um abrigo de resgate de gatinhos, fico triste ao ver muita desinformação espalhada por aí. E muita dúvida e muitos mitos cercam a FELV, a leucemia viral felina.




Então hoje vim aqui explicar um pouco mais sobre essa doença e trazer alguns relatos de pessoas que têm – ou já tiveram – gatinhos positivos para a FELV. Lembrando que esse post foi escrito com base em informações obtidas com a veterinária especialista em felinos, Tathiana Mourão, além de artigos científicos (a revisão consultada consta ao final do texto.)

Mas então... o que é a FELV?



A FELV é a leucemia viral felina (Feline Leukaemia Virus) e é uma doença causada por um retrovírus e acomete apenas gatos. É conhecida como a “doença do gato amigo” pois a transmissão é passiva,  através da saliva, lambeduras, urina, fezes e fluidos em geral.



A doença é similar à leucemia humana, no sentido de que também ataca o sistema imune do animal. Por isso os sintomas variam entre perda de peso, perda de apetite, diarreia crônica, depressão – o que pode fazer o gatinho parar de se limpar e ficar com o pelo embolado e sujo –, também pode ocasionar inflamação na gengiva, problemas no estômago e febre. Em casos mais avançados, é comum que o gatinho apresente complicações nos olhos, podendo levar à cegueira, dificuldades respiratórias e anemia e é comum que possa precisar de transfusões de sangue.



Como a doença afeta o sistema imune – conhecido como “sistema de defesa” do organismo – é muito comum que doenças oportunistas ataquem, como a rinotraqueíte e a PIF (peritonite infecciosa felina), dentre outras oportunistas.



Existem várias formas de diagnosticar a FELV. O PCR é um teste mais demorado e que deve ser feito em laboratório após retirada do sangue do gatinho. Existem também testes rápidos por meio da técnica chamada ELISA, que também dá o diagnóstico da outra retrovirose felina, a FIV (vírus da imunodeficiência felina, também conhecida como AIDS felina). No caso dos testes rápidos é retirado um pouco do sangue do felino e em 15 minutos se tem o resultado. O PCR é mais específico e muito mais confiável, mas os testes rápidos também têm uma boa confiabilidade, sendo que algumas marcas são mais recomendadas que outras, então busque a opinião do seu veterinário de confiança, especialista em felinos!



Caso você só tenha gatinhos negativos em casa, a melhor forma de prevenção – além da vacinação que falaremos a seguir – é a criação indoor, o que significa manter seu bichano sempre preso em casa. Na rua ele corre muitos riscos, além de contrair doenças há o risco de atropelamento, envenenamento, pessoas cruéis que maltratam por puro prazer. Proteja seu gatinho, não deixe que ele tenha acesso à rua.



Bom... mas você tem um gatinho FELV +... seja porque descobriu que o seu peludo tem a doença, seja porque decidiu adotar um gatinho felv... o que fazer agora?

Primeiro de tudo, se você tem outros gatos em casa, todos devem ser testados e os que forem negativos, devem ser vacinados com a vacina quíntupla. A vacina precisa de duas doses com 21 dias de intervalo para ser efetiva e nesse meio tempo os animais negativos não podem ter contato com os positivos pelo risco de se infectarem. Após as duas doses da vacina quíntupla, os gatinhos positivos e negativos podem ficar juntos, brincar, dormir juntos e serem muito felizes! É importante saber que nenhuma vacina, seja humana, seja animal, é 100% eficaz, então pode sim acontecer uma fatalidade de um gatinho negativo com as vacinas todas em dia, se contaminar. Mas as chances são bem pequenas. Após as duas doses iniciais, a vacinação será anual de dose única e é importante não atrasar, pois nesse caso seu gatinho ficará vulnerável e poderá ser contaminado.



A cada gatinho novo que chegar em casa, ele deve ser testado. Caso tenha acabado de ser resgatado, a chance de um falso negativo existe e a recomendação é que se espere aproximadamente 2, 3 meses para um novo teste, pois caso o gatinho tenha acabado de ser infectado, ele pode estar na “janela imunológica” na qual o vírus não é detectado, apesar de estar presente.



O gatinho felv irá precisar de alguns poucos cuidados especiais. Ele precisa de uma alimentação ótima (ração premium ou super premium, esta última preferencialmente) para se manter sempre bem saudável e forte. Vacinação em dia – converse com seu veterinário sobre as opções, tríplice e quádrupla –, sempre deixe o vermífugo em dia e fique de olho em possíveis alterações de comportamento, espirros frequentes e outras mudanças no peludinho. O gatinho poderá passar vários anos sem a doença se manifestar ou poderá dar a sorte de que ela nunca se manifeste, embora seja menos comum.


Infelizmente a FELV não tem cura, mas existem algumas terapias que podem ser usadas para amenizar os efeitos da doença, como o uso de Interferon para dar uma reforçada no sistema imune do gatinho. Procure um veterinário especializado em felinos e consulte todas as opções para prolongar, com qualidade, a vida do seu bichano felvinho.


Entendemos a dor de se perder um amigo e compreendemos pessoas que não querem adotar um animalzinho nessas condições, por saber que ele terá uma expectativa de vida mais curta, mas se você decidir por esse ato de coragem e altruísmo, saiba que seu gatinho será sempre grato por você proporcionar a ele a melhor vida possível e te retribuirá com todo o amor que ele é capaz! Afinal os gatinhos com FELV são como quaisquer outros e adoram brincar, dar e receber carinho e dormir juntinho!



Referência: Clinical Aspects of Feline Retroviruses: A Review Katrin Hartmann, Viruses, 2012